Geisy no país da hipocrisia

Então tá. Nos últimos dias a Uniban, com a ajuda dos seus queridos alunos, ofereceu para todo o planeta Terra (pois é) aulas gratuitas sobre moralidade, ética, princípios. Aprendemos o verdadeiro significado da palavra hipocrisia.

E graças ao episódio, o New York Times tirou um sarro da nossa cara verde e amarela.

“Although Brazil is known for its skimpy attire, especially in beach cities, most college students dress more modestly on campus — commonly in jeans and T-shirts. Some students had complained that Arruda seemed out of place in her revealing clothes, Brazilian media reported”. NYT, 2009.

Numa tradução tosca, é mais ou menos assim: apesar do nosso país ser conhecido pelas roupas “pequeninas” (skimpy é isso?), principalmente nas cidades de praia, as pessoas vão com roupas mais comportadas pra faculdade (como jeans e camisetas).
Ah tá, queridinhos. Então quer dizer que eu ia de biquíni pra faculdade? Claro, né. ¬¬

A Thais Rensi (de quem, aliás, adoro os textos) publicou uma nota no Blue Bus sobre o caso. Não aguentei, e dei meu pitaco também.

geisy

Confesso que, por muitos momentos, senti dó da menina por ser hostilizada. Ela diz que ficou traumatizada com o caso e eu me sensibilizo profundamente… E, de repente, ela faz uma coisa dessas.


Para uma pessoa traumatizada, até que ela está bem alegre, né?

Já passaram a mão em mim no metrô. Eu estava de jeans e camisa e não de vestido curto (se é que isso importa), mas mesmo se eu estivesse de vestido curto, ninguém teria o direito de fazer isto, certo?
Eu me senti horrível, a pior pessoa do mundo. Não queria sair de casa, e até hoje me sinto mal só de lembrar. E aí, assim, penso que não devo ser a única a saber que um trauma, quando real, demora pra passar (se é que passa).

Dificilmente algo justifica uma agressão seja ela física ou verbal. Ainda mais neste caso, onde o que mais vemos hoje em dia são mulheres semi-nuas na rua. Coisa normal.

No fim, acho que concordo mesmo é com esse comentário que vi em um dos vídeos.

comentario_youtube

Brasileiro se orgulha tanto de ser o país da “festa dos pelados” e depois fica com #mimimi por causa de um vestidinho?

Parabéns, Geisy. Te vejo na próxima edição do Big Brother Brasil – ou da Playboy, quem sabe.

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8 Comentários

  1. Putz, Lidi… se ela ficou traumatizada, não dá pra saber, deve ter sido bem ruim mesmo ser seguida por uma turba.

    Mas aparecer na TV, ser chamada pra vários programas, dar entrevistas, ganhar coisas… isso a deixou tão empolgada que é difícil esconder o encanto pela situação, né? :P

    lidifaria Reply:

    Ju,

    Ela mesma disse na entrevista coletiva (!) que deu, junto ao advogado, que foi exposta… E isso fica pra vida inteira. Imagina passar na rua e as pessoas te apontarem e te xingarem? Isso mexe com a moral de qualquer mulher, acredito eu, mesmo aquela mais segura de si – que sim, sai de roupa curta e nem assim se deixa abalar se alguém olha diferente. Uma coisa é um ou outro olhar e comentar, outra é uma universidade, a internet, o país inteiro assistir ao show onde você é a vítima, totalmente hostilizada.

    Aparecer na TV rebolando e sorrindo, depois de tudo isso, é aproveitar os 15 segundos de holofotes para mais (apenas) 15 segundos de fama. Expor uma vida inteira por 30 segundos.
    Espero, sinceramente, que ela tire algo bom de tudo isso, se isso for possível.

  2. Esse falso moralismo do dias de hoje é complicado. É povo querendo garantir direitos humanos de presos, bons costumes na escola, castidade antes do casamento e fidelidade até a morte. Mas me diga:

    - O assassino ligou para os direitos humanos da vítima?
    - Os estudantes deixaram de se beijar e atracar nos corredores das faculdades?
    - O mundo está mais vazio porque todo mundo só faz sexo depois do casamento?
    - Se seu/sua companheiro(a) morreu, acabou a sua vida amorosa?

    Se é para ser hipócrita desse jeito, que comecemos as nos esbofetear na rua, alegando “legítima defasa do espaço pessoal”.

    Abraços,

    tio .faso

    lidifaria Reply:

    .faso, uma das coisas que que pensei quando vi o vídeo da agressão pela primeira vez foi “ah, vá, duvido que esses caras não tenham uma irmã que usa saias mais curtas que esse vestido”.

    Julgar as pessoas é complicado, valores são relativos. Se ela se sente bem com roupa curta, eu não me sentiria na mesma situação – mas somos pessoas diferentes, com criações (e corpos, princípios, objetivos diferentes). Sou uma pessoa melhor que ela por isso? Jamais. O que raios é ser uma pessoa melhor do que a outra, né?
    Então quem a pessoa pensa que é pra ir lá e xingar assim, de graça?

    Complicado.

  3. Eu vi fotos do orkut dela, ou suposto orkut dela. As fotos eram dela mesma e todas pouco comportadas, aí mudei de opinião frente ao ocorrido. Sou contra a atitude dos estudantes, mas contra também as atitudes dela que levaram a toda confusão. Me parece que não tem ninguém com razaão nesta briga.

    MATEUS

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