Este ano não consegui conciliar as datas com o Leo, mas também não dava pra esperar: eu precisava muito descansar, e consegui marcar minhas férias. Sem viagem programada, sem nada em mente além de curtir São Paulo, os gatos (que dormem o dia todo) e eu mesma. E como só fiz meu último check-up antes do intercâmbio, lá fui eu aproveitar o tempo livre para marcar algumas consultas médicas.

***

Nunca tive problemas cardiológicos, mas depois que meu pai foi embora tão cedo, decidi marcar uma consulta. Já tinha feito um exame na academia, mas queria algo mais completo. E como meu convênio é muito bom (tks, #firma) marquei rápido um horário pra ver o coração.

O consultório era perto do metrô, o médico tinha estudos publicados… Me pareceu interessante.

Então vamos começar pelo coração.
Imagem: I heart guts

_Olá, senhorita, como posso ajudá-la?
_Ah, doutor, quero correr no futuro, então preciso fazer um check-up e ver se está tudo bem, não sei como está meu colesterol… E tenho histórico familiar de doenças cardíacas.
_Senta ali que eu vou ver sua pressão.

E enquanto ele me examinava, eu olhava uma estante cheia de livros. Daí ele riscou uns papéis e pediu exames. E abriu a porta pra mim.

Ele não perguntou que tipo de doença familiar eu comentei no começo da consulta, como é meu dia-a-dia, se meu trabalho exige esforço físico, etc. Nada. Riscou os papéis e ponto.

Será que entre todos aqueles livros não tinha sequer um sobre “Como conversar com seu paciente“? Será que aqueles médicos de antigamente, que perguntavam bastante (até demais), falvam com a gente e realmente nos escutavam não existem mais? Quando eu era adolescente, por exemplo, a dermatologista descobriu que eu estava com um problema no couro cabeludo por causa do meu ovário (!). Como ela descobriu? Conversando comigo, perguntando se eu tinha cólicas e pedindo ultrassom que na hora eu olhei e pensei: aff, nada a ver. Por que ela tá me pedindo um exame da barriga, se meu problema é capilar?

Poxa, se a gente lê/escuta tanto que a prevenção ajuda demais, por quê essas consultas não são bem aproveitadas? Bom, como também é o meu papel questionar o médico, já tenho um montão de perguntas anotadas para quando eu voltar lá. Vou fazer cada minuto do meu tempo e da minha saúde valer a pena. E usar o Dr. Google para me ajudar nisso.

ps.: No mês passado aconteceu o 1º Encontro Einstein de Saúde para Blogueiros. Não pude ir porque tinha aula no mesmo horário, mas curti o que acompanhei no Twitter. É muito bom saber que algumas instituições e médicos ainda estão abertos para este diálogo importantíssimo entre médico e paciente. Dá esperança de que as coisas podem melhorar.

Related Posts with Thumbnails